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Setembro Amarelo: entenda como o estrabismo pode levar à depressão

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina, organiza uma campanha nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio: o Setembro Amarelo. Entre os alertas que fazem parte desse movimento, está a atenção com relação aos transtornos mentais que podem levar ao suicídio, como a depressão.

Pensando no contexto das doenças da visão, o estrabismo é um dos problemas que, infelizmente, pode levar a quadros depressivos quando não é diagnosticado e tratado corretamente. Observado principalmente na infância, essa disfunção visual pode acometer a capacidade de enxergar das crianças. Por isso, é importante que os pais estejam sempre atentos e busquem ajuda ainda nos primeiros sinais da doença.

No texto de hoje vou explicar um pouco mais sobre o estrabismo infantil e a sua relação com a depressão. Acompanhe!

Sobre o estrabismo

O estrabismo é uma condição que provoca o desalinhamento entre os olhos, ou seja, eles passam a deixar de funcionar em conjunto. O desvio pode ser de basicamente quatro tipos diferentes, que são: convergente (aproximando o olhar do nariz),  divergente (afastando o olhar do nariz), hipertropia (desvio do olhar para cima) e hipotropia (desvio do olhar para baixo).

Mas além da questão estética, o estrabismo é um problema que pode comprometer seriamente a função visual, levando à redução da capacidade de enxergar e até mesmo a perda permanente da visão, caso não seja tratado adequadamente. Nas crianças, quando o diagnóstico e o tratamento são realizados de forma precoce, os efeitos do estrabismo são minimizados.

Estrabismo na infância

Até os seis primeiros meses de vida, é normal que o bebê não consiga controlar muito bem o movimento dos olhos, levando a um quadro que os oftalmologistas chamam de  estrabismo intermitente. Ou seja, a falta de coordenação aparece de vez em quando, mas depois some naturalmente.

Após os seis meses, a criança precisa ser capaz de manter um bom paralelismo ocular. Nesses casos, quando o estrabismo intermitente continua acontecendo ou o desalinhamento entre os olhos se torna frequente, é necessário buscar ajuda de um profissional para uma avaliação mais criteriosa.

E porque essa busca de ajuda deve acontecer o quanto antes? Porque esse é um período crítico, onde a formação visual da criança está a pleno vapor, e qualquer ocorrência pode acabar comprometendo esse desenvolvimento da visão.

A maior parte dos casos de estrabismo estão relacionados a fatores hereditários. No entanto, o problema também pode aparecer devido ao alto grau de hipermetropia, traumatismos ou em decorrência de outras doenças, como síndrome de Down ou meningite, por exemplo.

Sinais que merecem atenção

Como mencionei anteriormente, o desalinhamento dos olhos costuma ser o primeiro sintoma aparente do estrabismo e já pode ser um sinal de alerta a partir dos seis meses de vida da criança. Mas além disso,  quedas frequentes, dificuldade para começar a andar ou o choque constante em móveis e demais objetos também são sinais que merecem a atenção dos pais.

Estrabismo e depressão

Além do risco de lesões decorrentes das quedas constantes e a dificuldade de aprendizado causado pelo comprometimento da visão, o estrabismo pode trazer consigo consequências emocionais capazes de prejudicar a vida dos pequenos, como  baixa autoestima e bullying. E é justamente aí que mora o problema: casos em que isso acontece, o risco da criança desenvolver quadros de depressão aumenta significativamente.

Um estudo realizado pelo Hospital São Geraldo, ligado a Universidade Federal de Minas Gerais, apontou que o estrabismo interfere negativamente no bem-estar e na qualidade de vida durante a infância. Na prática, isso quer dizer que crianças estrábicas podem apresentar uma série de dificuldades emocionais, principalmente relacionadas à autoestima e aceitação nos ambientes que frequentam.

Além disso, como qualquer pessoa que tenha alguma característica diferente do convencional acaba sendo estigmatizada, as chances de sofrer bullying vindo de outras crianças podem ser maiores, principalmente na escola.

Como a estrutura emocional é algo particular e irá variar de uma pessoa para outra, é muito importante que a família esteja atenta e ofereça todo o suporte aos pequenos durante o tratamento de estrabismo. Dessa forma, eles se sentirão apoiados e terão maior capacidade de não sentirem diminuídos ou excluídos, reduzindo assim o risco de quadros depressivos. 

Sobre o Setembro Amarelo

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, todos os anos são registrados mais de 13 mil suicídios no país. Essa triste realidade, que tem afetado cada vez mais os jovens, está diretamente relacionada aos transtornos mentais. Cerca de 96,8% dos casos possuem ligação direta com quadros de depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias químicas.

Com o objetivo de prevenir e reduzir o número de casos de suicídio no Brasil,  é que a campanha Setembro Amarelo foi criada. É muito importante falar sobre o problema, estar atento aos sinais que os problemas emocionais causam e dar o suporte necessário para quem sofre com eles a fim de reduzir esses números.

Tem alguma dúvida sobre o estrabismo infantil? Deixe o seu comentário e vamos conversar!

Dr. Rodrigo Fernandes
Oftalmologista
CRM 65641 | RQE 33003

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