Nosso Blog

Pseudotumor cerebral: saiba como esse problema afeta a visão e qual a sua relação com a obesidade

A relação entre obesidade e saúde ocular é muito mais próxima do que se pode imaginar. Além de favorecer a ocorrência de problemas, como retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia hipertensiva, o excesso de peso também pode estar relacionado ao surgimento de um problema pouco falado e conhecido: o pseudotumor cerebral.

E é justamente sobre esse assunto que vou falar hoje. Confira a seguir mais informações sobre o que é essa doença e qual a sua relação com a obesidade e a visão. 

 

O que é pseudotumor cerebral?

O pseudotumor cerebral, também chamado de hipertensão intracraniana idiopática, é um problema causado pela pressão elevada do líquido cefalorraquidiano (LCR) no cérebro. Classificado como benigno, justamente para haver uma diferenciação dos tumores cerebrais malignos, essa condição deve ser identificada e tratada o quanto antes a fim de evitar danos irreversíveis à visão.

Como ele acontece?

Após a circulação, o líquido cefalorraquidiano, que envolve a medula espinhal e o cérebro e tem como função fornecer nutrientes, remover impurezas e proteger essas estruturas, é reabsorvido no corpo por meio dos vasos sanguíneos. Quando essa reabsorção não se dá de forma completa ou muito fluido é produzido pelo corpo, o LCR pode acabar acumulando e causando uma pressão dentro do crânio.

Os principais sintomas

Os dois principais sintomas relacionados ao pseudotumor cerebral são: dores de cabeça, geralmente  persistentes e que vão se tornando mais fortes com o passar do tempo, e problemas de visão, que podem se tornar bastante graves quando não tratados adequadamente.

A pressão causada pelo excesso de líquido cefalorraquidiano faz com que as membranas que envolvem o nervo óptico sejam comprimidas, ocasionando alterações na capacidade de enxergar, Essas alterações vão desde o embaçamento progressivo da visão até imagens duplicadas e dores ao movimentar os olhos.

Como mencionei, quando o pseudotumor não é devidamente diagnosticado e tratado, esses sintomas relacionados podem progredir e levar à perda parcial da visão e até mesmo à cegueira. Por isso, é muito importante procurar um oftalmologista o quanto antes a fim de evitar complicações da doença.

Por fim, vale destacar que sinais como: tontura, náuseas, rigidez do pescoço e zumbido persistente nos ouvidos também podem aparecer, apesar de serem considerados menos comuns. 

Fatores de risco

Embora ainda não exista na medicina uma explicação exata de por que o pseudotumor cerebral se desenvolve, a condição se manifesta com maior frequência nos seguintes casos:

Mulheres em idade fértil

Segundo alguns estudos internacionais, as mulheres têm até nove vezes mais chances de serem atingidas pelo problema do que os homens. Acredita-se que isso esteja ligado à diferença hormonal existente entre os dois sexos, apesar de ainda não haver um consenso sobre o assunto.

Obesidade

O excesso de peso corporal é considerado um dos fatores de risco mais importantes para o surgimento do pseudotumor. Além disso, pessoas que ganham muito peso em um curto espaço de tempo costumam ser mais afetadas pelo problema. Para se ter uma ideia, a incidência da doença em pessoas que apresentam um rápido ganho de peso pode ser até 10 vezes maior do que nas demais pessoas.

Portanto, é fundamental levar uma vida mais saudável, com alimentação equilibrada e prática regular de atividade física. Afinal, além de favorecer o surgimento do pseudotumor cerebral, a obesidade também é considerada um fator de risco para outras doenças, como diabetes e hipertensão, que também podem prejudicar a visão. 

Medicamentos

O uso de certos medicamentos sem acompanhamento médico, como tetraciclinas, determinados esteróides, anticoncepcionais e vitamina A, podem aumentar a predisposição ao pseudotumor cerebral.

Irregularidades dos vasos sanguíneos

Algumas pessoas nascem com um estreitamento da veia que drena o sangue e líquido cefalorraquidiano do cérebro, o que pode acabar resultando em um aumento da pressão intracraniana.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico normalmente envolve a realização de exames clínicos e fundoscopia, também conhecido como exame de fundo de olho. Nestes testes é possível identificar, por exemplo, a existência de edemas ou demais comprometimentos do nervo óptico.

Além disso, também é possível que o médico indique a realização de exames de tomografia ou ressonância magnética do crânio a fim de verificar que não há outras possíveis causas para o aumento da pressão interna do crânio, como trombose venosa cerebral.

Quanto ao tratamento, ele irá variar de acordo com as causas atreladas ao surgimento da doença. Entre as possíveis indicações podem estar a perda de peso, uso de medicamentos específicos para  reduzir a produção do fluido cerebral, punção para a retirada do excesso de líquido cefalorraquidiano e cirurgia. 

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Deixe o seu comentário e vamos conversar!

Drª Paula Borges Carrijo
Oftalmologista
CRM 53336 | RQE 41855

Compartilhe:
Abra o Chat
Olá, como podemos ajudar?