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O que é estrabismo e quais são as suas principais causas

Apesar de não ser tão abordado quanto os erros refrativos, o estrabismo é uma doença ocular que acomete muitos brasileiros. Estimativas do Conselho Brasileiro de Oftalmologia indicam que entre 5% e 10% das pessoas no país convivem com o problema. No mundo, dados da Organização Mundial da Saúde apontam que 4 em cada 100 indivíduos são estrábicos.

Mas você sabe o que é estrabismo, como ele se manifesta e quais são as principais causas? É isso que eu vim contar para você.

Sobre o estrabismo

O estrabismo é um desequilíbrio na função dos músculos oculares que impede que os olhos fiquem paralelos. Ele ocorre, na maioria das vezes, quando os nervos cranianos ou os músculos extraoculares, que controlam os movimentos dos olhos a fim de manter o paralelismo, são afetados por alguma doença ou trauma.

Nesses casos, os olhos passam a se deslocar para direções diferentes e a pessoa passa a não conseguir enxergar as imagens da mesma forma com os dois olhos, provocando uma perda da visão de profundidade e até mesmo visão dupla. Por isso, é comum que todos os objetos pareçam chapados e sem profundidade, o que reduz a capacidade de enxergar. 

Apesar de ser mais comum na primeira infância, o estrabismo também pode afetar as crianças maiores e os adultos. Logo, é importante estar atento aos sintomas, pois quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de a doença não deixar sequelas.

As principais causas

Seis pares de músculos são responsáveis pelo movimento dos nossos olhos. Para que consigam desempenhar essa função, eles recebem comandos vindos dos nervos cranianos que, por sua vez, se encontram conectados ao sistema nervoso central (SNC).

No estrabismo, o que acontece é que alguns fatores podem acabar comprometendo essa harmonia entre o SNS, os nervos cranianos e os músculos oculares. Com isso, os olhos não conseguem receber os comandos da mesma forma, gerando desequilíbrio entre os dois lados da visão. Entre essas causas que podem levar a esse desequilíbrio estão: 

  • Dificuldade motora para coordenar o movimento dos dois olhos;
  • Doenças oculares, como grau elevado de hipermetropia e catarata congênita;
  • Alterações genéticas, como síndrome de Down;
  • Doenças neurológicas, como AVC, paralisia cerebral e traumas;
  • Doenças infecciosas, como meningite e encefalite;
  • Disfunções da tireoide;
  • Diabetes;
  • Fatores hereditários.

Tipos de estrabismo

Diferente do que acontece com outras doenças oculares, o estrabismo possui quatro tipos diferentes, que são:

  1. Convergente: quando o olho afetado se desvia em direção ao nariz;
  2. Divergente: quando o olho afetado se desvia para o lado;
  3. Vertical: quando o olho afetado se desvia para cima ou para baixo;
  4. Latente: quando o desvio não é notado mas pode ser diagnosticado por meio de testes de visão.

Em relação aos desvios, eles podem ser intermitentes ou constantes e ocorrer sempre de um mesmo lado da visão (monoculares) ou manifestar-se de forma alternada entre os dois olhos (alternantes).

Principais sintomas

Dependendo do tipo de estrabismo e da idade em que ele se manifesta, os sintomas podem se apresentar de forma constante ou intermitente. Entre os principais sinais que indicam o aparecimento da doença, destacam-se:

  • Movimento dessincronizado entre os olhos
  • Desvio em um dos olhos (mais comum em crianças)
  • Visão dupla ou diplopia (mais comum nos adultos)
  • Perda da percepção de profundidade dos objetos
  • Inclinação frequente da cabeça
  • Dores de cabeça

Tratamento

O primeiro passo é tratar os problemas que levaram ao desenvolvimento do estrabismo. Se isso não for feito, as medidas relacionadas ao tratamento em si da doença não terão o resultado esperado.

Em seguida, o oftalmologista avalia quais são as melhores indicações terapêuticas para cada caso. O uso de colírios e óculos de grau, exercícios para fortalecer os músculos oculares e fechamento com tampão do olho com visão normal para estimular o outro prejudicado pelo estrabismo são as formas de tratamento mais comuns.

Menos usual, a aplicação da toxina botulínica ou bupivacaina para correção do desvio pode ser indicada em alguns casos. Já a cirurgia só é recomendada quando os demais tratamentos corretivos não são capazes de resolver o problema e o estrabismo continua prejudicando a visão do paciente.

Estrabismo infantil

Um estudo realizado pelo Hospital São Geraldo, que pertence à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apontou que o estrabismo interfere negativamente no bem-estar e na qualidade de vida principalmente durante a infância.

Na prática, isso quer dizer que crianças estrábicas podem apresentar uma série de dificuldades emocionais, principalmente relacionadas a autoestima e aceitação nos ambientes que frequentam. Além disso, elas também podem ter problemas de concentração durante a realização de atividades escolares, comprometendo o rendimento nos estudos. 

Portanto, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar que essas consequências do estrabismo prejudiquem a vida dos pequenos. E não se esqueça: até os dois anos, a recomendação é que as crianças visitem o oftalmologista duas vezes ao ano. A partir daí, recomenda-se uma consulta anual, assim como acontece com os adultos.

Dr. Rodrigo Fernandes
Oftalmologista
CRM 65641 | RQE 33003

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