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Estrabismo infantil tem cura? Veja quando a cirurgia é indicada

Você já deve ter ouvido falar em estrabismo infantil, mas já parou para entender como ele se desenvolve? Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estrabismo atinge 4 a cada 100 pessoas no mundo, e o diagnóstico precoce é fundamental para impedir a ocorrência de sequelas como a ambliopia, ou olho preguiçoso, maior causa de cegueira monocular em crianças.

Antes de falar em cura ou em cirurgia, vamos começar com o que não requer preocupação dos pais. Até os 6 primeiros meses de vida, é normal que o bebê não consiga controlar muito bem o movimento dos olhos, o que leva a um estrabismo intermitente (ou seja, aparece de vez em quando e depois some).

Depois de 6 meses de vida, a criança precisa ser capaz de manter um bom paralelismo ocular. Então, esse estrabismo intermitente passa a ser um indicativo de problema ocular e demanda, necessariamente, uma avaliação. Este é um período crítico, porque a formação visual da criança está em pleno vapor e podem aparecer os principais tipos de estrabismo infantil: paresias, paralisias, má função dos músculos oculares ou doenças relacionadas ao grau.

Tratamentos e cirurgia para o estrabismo infantil

O estrabismo infantil é tratado com o uso de tampões no olho, dependendo da idade e da intensidade; exercícios ortópticos; óculos, que são usados na maior parte dos casos; e as cirurgias, que podem ser feitas antes de 1 ano e meio ou após 5 anos de idade, dependendo da análise do oftalmologista pediátrico.

Alguns estudos indicam que, se a criança já nasce com estrabismo, a cirurgia deve ser realizada antes dos 12 meses de vida (no mais tardar aos 18 meses) para tentar preservar algum grau de binocularidade da criança (visão de profundidade ou visão 3D).

Binocularidade é o uso simultâneo dos dois olhos para visualizar um determinado objeto. Se há um grande desvio e a criança não consegue fixar os dois olhos no mesmo objeto, essa visão de profundidade pode ser perdida.

Acredita-se que o processo de formação da binocularidade ocorra até os 2 anos de vida e, por isso, alguns médicos indicam a cirurgia precoce. Porém, algumas escolas defendem que não há prejuízos na binocularidade quando corrigimos o estrabismo em crianças mais velhas.

Passada essa primeira faixa etária, o estrabismo deve ser operado após a certeza de que a criança está com boa visão nos dois olhos e coopera com as medidas dos desvios oculares. Geralmente, conseguimos ter essa certeza por volta dos 5 a 7 anos de idade.

Cada caso é um caso a ser avaliado individualmente e não existem regras sólidas a serem seguidas. A evolução do problema e o desenvolvimento intelectual de cada criança que nos ajudarão a decidir a hora certa de fazer a cirurgia. Também são esses fatores que determinarão a cura ou não da doença.

A visão é o sentido que se desenvolve mais intensamente nos primeiros meses de vida. Assim, é imprescindível fazer o teste do olhinho ao nascer. Além disso, os pais devem observar atentamente o desenvolvimento visual dos filhos e procurar ajuda médica quando detectarem alguma anormalidade.

Dr. Rodrigo Fernandes
Oftalmologista
CRM 65641 | RQE 33003

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