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Crianças com deficiência visual: como os pais podem ajudar no processo de estímulo e aprendizado

Considerada a perda parcial ou total da visão, a deficiência visual é uma realidade vivida por quase 250 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da OMS. Podendo ser congênita ou adquirida, ela pode se manifestar de forma moderada, grave e chegar até a cegueira total.

Na infância, apesar de não ser uma realidade tão comum, a deficiência visual acaba trazendo muitas inseguranças e incertezas para a vida das famílias com crianças que apresentam algum grau de comprometimento na capacidade de enxergar. Pensando nisso, resolvi trazer esse assunto para o texto de hoje. 

Crianças com deficiência visual: dicas de como os pais podem agir com seus filhos

O primeiro passo é entender que a deficiência visual não é um obstáculo para o sucesso da criança. Pelo contrário: por mais que os pais tenham inúmeros medos, receios e preocupações, é preciso compreender que os filhos com essa condição possuem plena capacidade de realizar inúmeras atividades sem a necessidade de supervisão constante.

Entretanto, para que isso aconteça na prática é necessário que a criança seja estimulada a fazer o máximo de tarefas possíveis sozinha, respeitando suas limitações. Além disso, é fundamental que os familiares deem todo o apoio e trabalhem a auto estima dos pequenos desde cedo para que eles consigam alcançar o máximo de independência à medida que forem crescendo e se desenvolvendo.

Dentro desse contexto, selecionei 6 dicas que podem ajudar os pais no processo de estimulação visual de seus filhos.

1. Estimulação visual contínua e precoce

Estimular a visão em crianças com algum grau de comprometimento da capacidade de enxergar deve ser precoce e contínua. Para isso, uma ação indicada é criar condições adequadas de iluminação e usar objetos coloridos para chamar atenção dos pequenos.

2. Incentivo ao uso dos demais sentidos

Incentivar o uso dos outros sentidos, como tato, olfato e audição, também é algo muito positivo e que deve ser feito pelos pais e, se possível, também pela escola. Isso ajuda a criança a criar novos estímulos para se orientar em relação ao espaço e tudo mais que está ao seu redor.

Sendo assim, busque motivá-la usando recursos, como som, cheiros, toque. Tudo isso pode ser muito positivo para o desenvolvimento do seu pequeno e sem dúvida irá ajudá-lo a se tornar mais seguro e confiante.

3. Busque escolas aptas a receberem crianças com deficiência visual

Quanto ao processo de aprendizagem, é muito importante pesquisar por uma escola que já tenha outros alunos com deficiência visual ou que esteja aberta a receber a criança a fim de ajudá-la no seu desenvolvimento intelectual. Digo isso porque muitas vezes os professores podem não estar preparados para lidar com processos de aprendizagem diferentes, como acontece no caso de crianças com deficiência visual, e isso pode acabar prejudicando o seu filho ao invés de ajudá-lo.

4. Técnicas de aprendizagem são importantes

Na escola, busque orientar os professores para que eles coloquem seu filho o mais próximo possível da lousa, que ofereçam materiais com letras maiores e em papel fosco, a fim de melhorar o contraste. Explicar verbalmente as atividades, com calma e paciência, também são atitudes muito positivas para esse processo de aprendizagem.

5. Uso do Braille

Outra opção é o contato com o sistema Braille. Uma criança sem deficiência visual tem contato com as palavras desde muito cedo, seja pela TV, livros ou até mesmo pelo celular. Com as crianças que possuem deficiência visual isso também deve acontecer e o Braille vem justamente para permitir que esse contato com o universo da escrita seja possível.

Por isso, estimular esse aprendizado ainda na primeira infância é uma ação muito benéfica para os pequenos e pode facilitar, inclusive, a adaptação na escola. Isso porque, muitas escolas atualmente são capazes de transcrever seus materiais para o Braille, o que ajuda muito uma criança com deficiência visual a se sentir mais integrada ao contexto escolar. 

Inclusive, a Lei nº 10.753/2003, que institui a Política Nacional do Livro, garante a compra de materiais em Braille para atender aos direitos de aprendizagem dos alunos com comprometimento da visão. Nesse sentido, o Projeto Livro Acessível (mantido pelo Ministério da Educação) colabora articulando as ações do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, juntamente com as secretarias estaduais e municipais, a fim de proporcionar esse direito a quem precisa.

6. Aposte no uso de recursos da tecnologia

Cada vez mais smartphones e tablets têm feito parte da rotina de boa parte das crianças. Pensando nisso, você pode usar esses recursos baixando aplicativos que podem ser muito úteis para o estímulo visual e dos demais sentidos do seu pequeno. Apps, como Be My Eyes, Lupa com Lanterna e Ubook são algumas opções interessantes e que valem a pena serem exploradas.

Conclusão

Se você tem um filho portador de deficiência visual tem alguma criança em seu convívio nessa situação, use todos os recursos possíveis para estimular seu desenvolvimento. Isso é importante para que eles cresçam mais confiantes e independentes, podendo levar uma vida mais próxima possível da normalidade.

Além disso, procurar a orientação de um oftalmologista pediátrico também é muito importante nesse processo. Isso porque, um profissional que seja especializado no atendimento infantil será capaz de  indicar os recursos mais adequados para quem possui algum tipo de limitação da capacidade de enxergar.

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