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Como a prematuridade pode afetar a saúde da visão dos recém-nascidos

A prematuridade é um assunto que merece muita atenção devido às consequências que pode gerar na vida de uma criança. Quando um bebê nasce de forma prematura, nem todos os órgãos se encontram completamente formado. Logo, é necessário que o recém-nascido receba muitos cuidados especiais, entre eles com a saúde da visão. 

E por que isso se faz necessário? Porque na visão de um bebê prematuro nem todos os vasos sanguíneos da retina estão completamente formados no momento do nascimento, uma vez que isso só acontece nas últimas semanas da gravidez. Assim, essa condição de prematuridade pode fazer com que ele desenvolva alterações oculares ainda nos primeiros meses de vida.

Uma das condições mais comuns que podem ocorrer em crianças que nascem prematuras é a retinopatia da prematuridade (ROP). Vou explicar um pouco mais sobre essa doença e a importância do diagnóstico precoce.

 

O que é retinopatia da prematuridade

A retinopatia da prematuridade é uma das doenças que mais atingem os bebês que nascem antes da 32ª semana de gestação ou com peso inferior a 1.5 kg. Devido à precocidade do nascimento, nessas crianças os vasos sanguíneos da retina são muito imaturos e começam a se desenvolver de forma anormal.

A doença, que é considerada a segunda maior causa de cegueira na infância, é mais comum do que se pode imaginar. Foi o que mostrou uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 4 mil bebês prematuros. No levantamento, quase um terço dos recém-nascidos sofriam com o problema, o que representa uma incidência de 30% em relação ao número total das crianças participantes.

Esse dado reforça a importância de estar atento quando o assunto é prematuridade e saúde da visão, uma vez que quanto mais rápido a doença é descoberta, menores são as chances de impacto na vida dos pequenos. 

 

Sobre o diagnóstico

Normalmente, o diagnóstico da ROP prevê três possíveis cenários que variam de acordo com o estágio em que a doença se encontra no momento em que é identificada pelo oftalmologista. No primeiro cenário, os vasos sanguíneos que não terminaram de ser formados na gravidez são completamente corrigidos naturalmente ao longo dos primeiros 12 meses de vida do bebê.

Já na segunda situação, esses vasos que não se formaram corretamente são corrigidos, porém deixando cicatrizes na retina. Nesses casos, é provável que as crianças necessitem usar óculos para conseguir enxergar bem de longe (miopia) e que doenças, como ambliopia ou estrabismo apareçam na infância.

No último cenário, considerado mais raro, as cicatrizes deixadas pela má-formação dos vasos são mais graves e a correção com uso de óculos ou cirurgia são pouco eficientes. Nesses casos, dado a gravidade das lesões, é possível que aconteça o descolamento da retina, situação que pode pode levar à cegueira irreversível.

Tratamento

Como acabei de mencionar, quando não é diagnosticada e tratada de forma precoce, a retinopatia da prematuridade pode causar descolamento da retina e o comprometimento irreversível da visão. Daí a importância de realizar o acompanhamento dos bebês prematuros com um oftalmologista desde os primeiros dias de vida, a fim de identificar e tratar o quanto antes qualquer alteração visual.

O tratamento da ROP pode ser feito com crioterapia, medicações intra-vítreas, laser e cirurgias. A escolha entre uma técnica e outra vai depender geralmente das condições do recém-nascido e o grau em que a doença se encontra. 

A retinopatia da prematuridade é um problema de saúde que pode causar impacto permanente na vida de uma pessoa. Por isso, estar atento ao problema e realizar o acompanhamento com um oftalmologista desde os primeiros dias de vida, no caso de crianças prematuras, é uma atitude vital para a saúde da visão.

Dr. Rodrigo Fernandes
Oftalmologista
CRM 65641 | RQE 33003

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