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Você sabe qual é a relação entre as alergias oculares e o ceratocone?

No último dia 20 de março entramos oficialmente no outono. Nessa estação, caracterizada principalmente pela baixa umidade do ar, é preciso ter atenção redobrada com a saúde dos olhos. Isso porque, o aparecimento de alergias se torna mais comum do que em outras épocas do ano.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em torno de 30% dos brasileiros possuem algum tipo de alergia. Desse total, mais da metade desenvolvem alergia nos olhos, considerado um importante fator de risco do ceratocone. Por isso, é fundamental estar atento aos cuidados necessários para evitar que esses processos alérgicos prejudiquem a visão. 

No texto de hoje vou mostrar a relação entre a ceratocone, problema que afeta a estrutura da córnea,  e as alergias oculares. Confira! 

O que é ceratocone

O ceratocone é uma doença que provoca o afinamento e o curvamento da córnea, fazendo com que ela adquira o formato semelhante ao de um cone, daí a origem do nome do problema. Essa estrutura, que recobre toda a frente do globo ocular, é responsável por barrar a entrada de corpos estranhos dentro do olho e regular a entrada da luz que é projetada na retina.

Portanto, ao alterar a espessura e o formato da córnea, o ceratocone impede a projeção de imagens nítidas na retina. Além disso, ele também pode promover o desenvolvimento de grau elevado de astigmatismo e miopia, comprometendo assim a capacidade de enxergar bem. Estima-se que cerca de 150 mil pessoas por ano no Brasil são atingidas pelo problema, que pode comprometer os dois olhos de maneira assimétrica, ou seja, mais de um lado do que do outro.

O que são alergias oculares

Assim como acontece com outros sentidos, a visão também pode ser acometida por processos alérgicos. Caracterizada como uma resposta do sistema imunológico na tentativa de combater um agente externo (alérgenos), a alergia pode afetar tanto a estrutura interna quanto as pálpebras e a região em torno dos olhos.

Os sintomas que tanto incomodam as pessoas que sofrem com o problema, como olhos irritados, vermelhos e coçando, decorrem de uma hipersensibilidade do organismo em relação a ação de  determinados alérgenos. Entre os mais comuns, vale destacar: pólen, ácaros, mofo, fumaça de cigarro, poluição, poeira, pelos de animais de estimação, maquiagem, perfume, protetor solar e produtos de limpeza.

E apesar de parecerem inofensivos, as consequências que esses sintomas trazem podem ser muito  perigosas para os olhos, como mostrarei a seguir.

A relação entre as alergias oculares e o ceratocone

Uma das principais consequências que as alergias oculares trazem para o dia a dia de quem sofre com esse desconforto é a coceira constante. E é aí que mora o problema: essa ação de coçar e esfregar os olhos constantemente, que num primeiro momento parece ser inofensiva, é um dos principais fatores de risco para o surgimento do ceratocone.

E por que isso acontece? Como expliquei anteriormente, essa doença da visão caracteriza-se pelo afinamento e curvamento da córnea. Pois bem, quando uma pessoa esfrega ou coça os olhos com frequência, a tendência é que essa ação provoque um enfraquecimento e afinamento da córnea. Com isso, a curvatura dessa estrutura vai aumentando e adquirindo um formato de cone, favorecendo justamente o desenvolvimento do ceratocone.

O problema costuma ser mais comum na infância e na adolescência, quando a córnea ainda é maleável e mais suscetível a alterações estimuladas pelo ato de coçar os olhos. Sendo assim, é fundamental que os pais fiquem atentos e não ignorem possíveis alergias oculares de seus filhos a fim de evitar o aparecimento da doença.

Além disso, outro ponto de atenção está ligado à questão genética. Como possui um caráter hereditário, a probabilidade de que os filhos das pessoas que tenham ceratocone também desenvolvam o problema aumenta significativamente. Logo, é importante levar esse fato em consideração em casos de crianças e adolescentes com alergias oculares.

O diagnóstico é feito em consultório, com ajuda de exames complementares, e existem muitas opções de tratamento que são bastante eficazes. Portanto, é essencial manter as consultas de rotina com o oftalmologista sempre em dia, visto que elas ajudam a diagnosticar o problema de forma precoce.

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Deixe o seu comentário e vamos conversar!

Drª Paula Borges Carrijo
Oftalmologista
CRM 53336 | RQE 41855

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